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21/04/2018

Cavaleiro brasileiro é a nova estrela do hipismo internacional

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Os prêmios conquistados são fruto do talento mas também de muito treino, esforço e disciplina. Por isso, Marlon gosta de lembrar do mantra de seu pai: “resultado só vem antes do trabalho no dicionário”.

Os cavalos estão no sangue da família Zanotelli há gerações. O avô era militar e fazia parte da cavalaria montada no Rio Grande do Sul. O pai, Mário, também gaúcho, aprendeu a montar nos cavalos do regimento.

Marlon convive com cavalos desde criança. Começou bem cedo, aos 4 anos de idade, na escola de equitação dirigida por seu pai, em São Luís do Maranhão. Logo depois a família se mudou para o Rio, quando decidiu investir na carreira de cavaleiro do pai de Marlon. Venderam a casa e compraram um caminhãozinho para participar das competições.

“Nós já éramos quatro filhos. Eu era o mais velho, com seis anos, também tinha minha mãe e o tratador dos cavalos. E assim a gente ia viajando pelo Brasil, competindo”, relembra Marlon.

Quando a família se mudou para Fortaleza, em 1996, Marlon conta que começou a montar de verdade. “Antes era só diversão” comenta.

Da brincadeira à descoberta da vocação de querer ser cavaleiro foi um pulo. Aos doze anos, Marlon já sabia o que queria de seu futuro, apesar da insistência do pai de que ele deveria estudar e deixar o cavalo como hobby.

Marlon se formou em marketing, aprendeu inglês, mas continuou a sonhar com cavalos. Aos 20 anos, teve a primeira grande chance de fazer um estágio com o cavaleiro Ludo Philippaerts, na Bélgica.

“Sempre quis vir pra a Europa. Desde menino, quando assistia os vídeos de concursos, os melhores cavaleiros do mundo estavam saltando aqui. Os melhores cavaleiros que existiam na época do Brasil também moravam na Europa, Rodrigo Pessoa, o Doda, Pedro Veniss. Eu queria vir buscar isso, aprender, ver e acompanhar o dia-a-dia desses grandes cavaleiros, não só os brasileiros, mas os internacionais, lógico. E também melhorar a minha equitação e poder um dia competir contra esses caras de igual pra igual.”

Durante os dois anos que montou para Philippaerts, Marlon aprendeu como funcionava o hipismo na Europa. Em seguida, começou a trabalhar na Ashford Farm, a fazenda do empresário irlandês Enda Caroll, em Waterloo, na Bélgica. Na época, disputou vários concursos internacionais com os cavalos de Caroll, e o mais importante, foi em Ashford Farm que conheceu a amazona sueca Angelica Augustsson, com quem se casou em 2015.

O casal resolveu iniciar seu negócio próprio, a Augustsson Zanotelli, na região de Bree, na Bélgica. Um dos grandes motivos foi ter mais qualidade de vida e dar mais atenção à família, principalmente com a chegada da filha Melissa, hoje com 2 anos.

O cavaleiro top do Brasil conta que o apoio da sua família é fundamental. “Estão todos aqui agora. Meus pais e irmãos, são eles que seguram a onda, que me ajudam com a organização das cocheiras”, ressalta. O objetivo da Augustsson Zanotelli é preparar cavalos para saltar as competições mais importantes do mundo. “A gente está sempre buscando os novos talentos entre os cavalos para trazer para as nossas cocheiras. Temos tido um apoio enorme da família, dos proprietários dos cavalos e de alguns investidores do Brasil”.

Assim como todo cavaleiro, Marlon Zanotelli tem uma relação especial com seus grandes parceiros: os cavalos. Marlon reconhece que “depende totalmente deles". "Eles são a peça principal do esporte, não nós cavaleiros”, diz.

Rock and Roll Semilly e Extra van Essence são seus cavalos mais atuantes. A égua Semille de la Motte, com quem o cavaleiro salta há dois anos, foi quem mais obteve resultados no ano passado. “O Brasil ganhou a Copa das Nações de Saltos, em Hickstead, nos Estados Unidos, e ela fez parte da equipe”, comemora. “Tem outros cavalos que ainda não estão prontos para competir em alto nível, mas que temos muita expectativa”, reitera.

- A relação entre o cavalo e o cavaleiro

“Com certeza, existe uma relação muito forte entre cavalo e cavaleiro. A gente acaba se aproximando deles bastante, quanto mais tempo e competições você salta com eles, a afinidade vai aumentando e eles são parte do nosso dia-a-dia, parte da nossa vida, são peças importantes para nossa carreira", diz.

Segundo Marlon, “um cavalo sem um cavaleiro é um cavalo, mas um cavaleiro sem um cavalo é somente uma pessoa". "Então, acho que é muito importante essa relação de afinidade entre os cavaleiros e o cavalo, isso dá um extra dentro da pista também”, explica.

Praticamente todo final de semana Marlon Zanotelli participa de uma competição. A grande maioria é na Europa, mas existem provas mais distantes, como a de Shangai, que ele compete no mês que vem. Este ano ainda tem o Mundial de Toronto, no Canadá, o Global Champions Tours, que é um dos maiores torneios do hipismo, e o Rome Gladiators. Mas o grande sonho de Marlon é saltar nas próximas Olimpíadas do Japão, em 2020. “A questão é ter o cavalo pronto na hora para representar bem o nosso país”, comenta.

- Brasil tem cavaleiros promissores

Em suas cocheiras, Marlon tenta sempre manter a conexão com o Brasil. “Temos pessoas que vêm treinar com a gente, fazer intercâmbio, organizar clínicas”, enfatiza. “Tento dar de volta a oportunidade que tive quando vim pra cá. O Brasil tem jovens cavaleiros talentosos com dificuldades para fazer um estágio por aqui. É preciso vir, conhecer e aprender”, completa.

Para quem pretende seguir a carreira, Marlon Zanotelli, considerado um dos melhores cavaleiros da atualidade, dá um conselho: “se você tem um sonho, se você realmente acredita que pode chegar lá, trabalhe. Ninguém pode dizer que você nunca vai conseguir. Se você acredita, é uma questão de tempo, de achar a oportunidade, a pessoa certa no seu caminho e as coisas vão acontecer mais cedo ou mais tarde, as coisas vão cair no lugar certo”, conclui.


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